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Sleep no More: a experiência teatral imersiva em Nova York

A máscara utilizada pela plateia e a carta que é o ingresso para o espetáculo / Andressa Griffante / Passageira.com.br

A experiência do Sleep No More em Nova York é algo fascinante que eu recomendo a todo mundo que for à cidade. Um teatro imersivo off-broadway que desde 2011 atrai multidões, com performances surpreendentes, num local cheio de mistério, obscuridade e excitação. Todos os adjetivos caberiam para descrever as emoções de participar de uma sessão dessas. A arte vivenciada de uma forma que pouco nos é proporcionada.

É difícil explicar assim, escrevendo, sem poder encenar, mas vou tentar e trazer alguns links com outras referências que certamente te farão querer participar e entender um pouco mais do que se trata esse fenômeno de bilheteria.

Havia lido sobre a apresentação no blog Pequenos Monstros (em um post antigo, de 2012), pesquisando lugares em que eu poderia visitar na minha primeira ida à Nova York (em 2017), e fiquei logo muito interessada na experiência: uma peça teatral imersiva em que a plateia circula pelos cenários, utilizando uma máscara, seguindo os passos (ou até correndo atrás) dos atores e tentando descobrir detalhes do enredo e mistérios guardados pelos personagens.

Chegando em NY algumas pessoas que já haviam participado me contaram um pouco mais sobre como funcionava o Sleep No More. Descobri que a proposta é apreciar o espetáculo individualmente. Então se você chega com uma amiga (como aconteceu comigo) logo na entrada cada uma receberá uma carta diferente. Cada carta é a referência para uma turma que acessa a área do espetáculo em si. Embora a experiência esteja em tudo, desde a chegada ao local.

Sleep No More
Imagem da peça Sleep No More, do NY Times. Os atores e, ao fundo, a plateia, usando máscaras estilo carnaval veneziano.

O teatro acontece em vários andares de um hotel, o McKittrick, na região de Chelsea. Quando cheguei lá, uma grande fila já se formava na calçada. Ao entrar, deixamos em uma chapelaria a bolsa e celular. É estritamente proibido fazer fotos no local. Poderíamos pegar apenas dinheiro, caso quiséssemos comprar algo no bar. Em seguida, fizemos o check in, recebemos a carta, que é nosso ingresso. E seguimos em direção ao bar ou lounge de entrada – subindo algumas escadas num ambiente escuro que já adiantava o clima de mistério que seguiria durante a noite.

Existem vários horários, várias sessões, todos os dias da semana (é possível conferir o calendário aqui). Não lembro o horário exato da minha, mas cheguei final da tarde no local, ainda era dia enquanto estava na fila. (Isso foi em agosto de 2017, verão em NY).

No bar, uma música ao vivo, um palco, decoração estilo anos 50. Um anfitrião dava as boas vindas e chamava de tempos em tempos a nova turma a entrar no ambiente em que a peça era encenada. A peça é uma adaptação de nada menos que a clássica tragédia de Shakespeare, Macbeth, contada pela lente obscura e fantástica da Punchdrunk, companhia britânica que assina a produção.

O interessante é que no momento que chegamos no bar já estamos participando do teatro. O anfitrião, assim como a mulher do caixa e garçons te tratam como se você estivesse de fato num bar lá de meados dos anos 50 ou algo do tipo.

Minha amiga foi chamada numa turma antes da minha. Fiquei um tempo ainda circulando pelo bar, ao menos uns 15 minutos, até chamarem a turma a qual eu pertencia. Numa pequena fila, saímos do barulho do bar e entramos em um pequeno hall. Recebemos a nossa máscara e nos passaram todas as orientações: não tirar a máscara, não falar e sermos curiosos!

Um resumo da experiência:

– É preciso ter fôlego pra acompanhar os atores na maioria das vezes. São vários andares, escadas, vai e vem de personagens e de cenas. Prepare o físico!

– Os atores são os únicos a não usarem máscara, praticamente não falam durante a encenação. Em compensação as expressões faciais e corporais são muito presentes nas atuações. Eles literalmente sobem pelas paredes!

– A trilha sonora dá o tom dos acontecimentos em cada ambiente.

– Ao caminhar pelos andares, passamos por um hospital, um salão de festas, hotel, jardim, banheiro, quarto, sala de estar, salas de jantar… Os cenários são dos mais diversos e em quase todos, pouca iluminação.

– Você não se comunica com ninguém, usa a máscara o tempo todo, mas pode abrir gavetas, circular por todos os andares da peça, buscar pistas sobre os acontecimentos.

– É permitido voltar ao bar, tirar a máscara, dar um tempo e voltar.

– Quem se sentir mal ou se perder, ou precisar de qualquer ajuda pode se dirigir à homens de preto, também de máscara, que ficam estrategicamente posicionados em todos os andares e indicam a saída.

– É muito fácil você perder a noção de tempo enquanto está lá dentro.

– Algumas cenas podem ser muito fortes para alguns. Durante a apresentação que acompanhei testemunhei um desmaio.

– Um material sobre a história do grupo e da peça está a venda ao final. Se puderem, comprem! Eu não comprei e me arrependo. Hoje gostaria de ler o livro e ver as imagens pra relembrar das cenas e ter uma recordação desta noite tão excitante.

– Leia os comentários no Trip Advisor de quem também participou do Sleep No More.

– Confira aqui a crítica do New York Times sobre o Sleep No More.

 

Quem aí também já participou do Sleep No More em Nova York? Comenta aqui tua experiência!

Sobre Andressa Griffante

Andressa Griffante é jornalista gaúcha, mora em Porto Alegre e uma viajante apaixonada por arte, história e cultura. Acredita que os lugares e as pessoas tem muito pra nos ensinar, e que nem sempre precisamos ir longe pra aprender com o mundo. Além de editora deste blog, é empreendedora online na agência RSbloggers - com a qual foi considerada uma das 30 pessoas mais influentes do mercado digital de 2016 pelo YouPIX.

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