05 de julho é o Dia da Gastronomia Mineira: conheça iguarias curiosas de diferentes cidades turísticas de Minas!

Foto de Edu Viero

A culinária de Minas Gerais é uma descoberta de sabores sem igual, patrimônio cultural imaterial do Estado, reconhecida internacionalmente e que vai muito além do pão de queijo e do café! Tamanha importância resultou em uma data oficial de celebração: 05 de julho é o Dia da Gastronomia Mineira. Para completar, 2024 foi considerado o “Ano da Cozinha Mineira – Clássica e Contemporânea” pelo Governo de Minas. 

São motivos de sobra para querer explorar tanta qualidade e diversidade de delícias. Por isso, destacamos algumas iguarias fora do óbvio para você degustar enquanto viaja por cidades cheias de cultura e história. São municípios em que a tradição gastronômica virou experiência turística e é possível realizar verdadeiras imersões na produção e nos saberes passados de geração em geração.

Pastel de Angu (em Itabirito)

Este pastel usa como massa fubá de milho, água, polvilho e sal. Isso faz com que o pastel fique ainda mais saboroso e suculento, além de crocante por fora e super macio por dentro. Já o recheio fica a gosto do cliente. Alguns dos mais tradicionais são carne moída, frango, queijo, bacalhau e umbigo de banana.

Pastel de angu. Crédito: Edu Viero

Datado do século XIX, a tradição do quitute veio de Itabirito, cidade centenária conhecida por ter o melhor pastel de angu do país. Pertinho de Belo Horizonte, a dica é percorrer o município dentro do roteiro “Entre Trilhas, Sabores e Aromas”, passando também por Rio Acima, Raposos, Nova Lima, Santa Luzia e Sabará.

Jabuticaba e Frango com Ora-pro-nobis (em Sabará)

No mesmo roteiro “Entre Trilhas”, na cidade de Sabará, os destaques para o paladar são o frango com ora-pro-nobis e as diversas receitas com jabuticaba. O ora-pro-nobis é uma plantinha que provém de um cacto, utilizada de forma refogada (como uma couve ou espinafre). Macia e muito suculenta, ela é muito combinada com frango — principalmente o caipira, compondo o seu caldo e incrementando o sabor.

Outro símbolo da cidade é a jabuticaba, com festival dedicado à essa fruta típica e inúmeros pratos e quitutes que a têm como protagonista, como doces, licores, geléias e pratos salgados. O molho de jabuticaba de Sabará é conhecido como o “barbecue mineiro”.

Molho de Jabuticaba: o “barbecue mineiro”. Crédito: Edu Viero

Queca (em Nova Lima)

Já em Nova Lima, ainda no mesmo roteiro de Itabirito e Sabará, o visitante experimenta a Queca, bem imaterial do município. Um bolo com frutas, de origem inglesa, que chegou à cidade na época da migração e exploração do ouro, e tornou-se culinária tradicional entre os nova-limenses.

Queca. Crédito: Edu Viero

No período natalino, as famílias da região fazem o bolo, que leva ingredientes como canela, gengibre, noz moscada, grande variedade de frutas cristalizadas e castanhas, entre outros. 

Goiabada Cascão (em Barão de Cocais)

O famoso doce combinado com queijo minas é a receita perfeita de sobremesa para os mineiros, e também turistas que chegam de muitos lugares atraídos pelo paladar. O modo de fazer da goiabada cascão de Barão de Cocais é patrimônio imaterial do município. 

Goiabada Cascão. Crédito: Edu Viero

A tradição secular possui grande importância cultural para a cidade, que integra o roteiro “Entre Serras da Piedade ao Caraça”. E seguindo nesta rota, o turista passeia ainda pelos sabores de Catas Altas, Caeté e Santa Bárbara.

Vinho de Jabuticaba (em Catas Altas) 

Em Catas Altas os produtores de vinhos substituíram as uvas pela fruta abundante na região, jabuticaba, por volta de 1949. A bebida se tornou ícone gastronômico local. Atualmente a Festa do Vinho de Jabuticaba é uma das grandes atrações turísticas da cidade.

Vinho de Jabuticaba. Crédito: Edu Viero

Como não poderia deixar de ser, o vinho de jabuticaba é patrimônio imaterial em Catas Altas. Ao visitar o município – no roteiro “Entre Serras da Piedade ao Caraça” – é possível conhecer os modos de produção artesanal do líquido, além, claro, de muita degustação.

Mel (em Santa Bárbara)

A cidade de Santa Bárbara é reconhecida como a cidade do mel. O município conta com uma Casa/Museu onde é possível aprender sobre a história melífera e uma loja para comercializar os diversos produtos derivados da apicultura da região.

Experiências com mel em Santa Bárbara. Foto: Jean Rodrigues.

Nesta cidade mineira a produção da iguaria foi muito difundida no século XIX e hoje é um saber enraizado na cultura local, que exerce influência na culinária, no turismo, nas celebrações e no dia a dia dos moradores. 

Santa Bárbara, que também está na rota “Entre Serras”, do Circuito do Ouro, possui o maior entreposto de beneficiamento de mel de Minas Gerais e o quinto maior do país. O mel produzido no local destaca-se pelo sabor agradável e coloração âmbar, mantidos durante todo o ano. Uma particularidade do mel produzido na cidade é seu padrão, obtido através da florada silvestre juntamente com a florada do eucalipto.

Quitandas (em Congonhas)

As quitandas são doces, biscoitos, pães e diversos quitutes servidos no chá, merenda ou no café da manhã. Uma tradição que movimenta a agricultura familiar em muitos municípios mineiros. Um deles é Congonhas, que recebe todos os anos seu Festival da Quitanda, considerado um dos melhores eventos gastronômicos do Estado.

Quitandas. Crédito: Edu Viero

As maravilhosas receitas de quitandas surgiram de modo a aproveitar os alimentos que eram encontrados em abundância na zona rural, como leite, ovos, queijo, milho e mandioca. Hoje o ofício das quitandeiras, que muito contribuem para a boa fama da comida mineira, está em processo de registro para se tornar patrimônio imaterial nacional pelo IPHAN.

Para visitar Congonhas e se deliciar com as quitandas, a dica é percorrer o roteiro “Entre Cenários da História”, por onde os turistas ainda aproveitam para conhecer outras cidades cheias de experiências, como Mariana, Ouro Preto e Ouro Branco. 

Pastel de São José (em Nova Era)

Esta delícia de massa caseira é um exemplo de que a cozinha mineira movimenta muito mais do que a economia e o turismo, mas também pode ser símbolo de resistência e união de uma comunidade. A história do pastel de São José começa em 1991, quando Terezinha Souza de Araújo começou a fazer o alimento para ajudar nas obras de restauro da Matriz de São José da Lagoa, uma jóia barroca que estava em condições muito precárias.

Pastel de São José. Foto de Edu Viero.

Bem recheados, nas versões carne ou queijo, ele é vendido toda quarta-feira em frente à igreja, logo após a missa, embora a maior produção ocorra nos festejos de São José, de 10 a 19 de março. O lucro arrecadado até hoje ajuda nas obras de restauração e manutenção da igreja matriz.

Por seu valor social, gastronômico e cultural, o Pastel de São José da Lagoa foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico de Nova Era (Comphane). E você pode provar este pastel tão especial e de quebra visitar a matriz conservada com tanto zelo pelos nova-erenses viajando pelo roteiro “Entre Ruralidades e Personalidades” do Circuito do Ouro. A rota integra ainda o município de Itabira, terra do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Conheça mais sobre todos os roteiros

Todos esses roteiros estão sinalizados e fazem parte do Circuito do Ouro. Ao todo são 17 municípios com grande proximidade geográfica, semelhanças históricas e culturais promovidos através de diversas ações conjuntas de fomento turístico. A segmentação das rotas de visitação facilita a busca de informações e guia visitantes em atrações e experiências.

Os municípios atrelados à Associação do Circuito do Ouro, além de participarem das políticas públicas de turismo orientadas pela Instância de Governança Regional – que é responsável por orientar as cidades seguindo as diretrizes da Secretaria de Turismo e Cultura de Minas Gerais e do Ministério do Turismo – também se beneficiam do plano de trabalho estratégico da entidade.

Um dos importantes parceiros da associação é o cartão ELO, que ajudou na sinalização dos roteiros trabalhados, distribuição de material para os empresários parceiros, participação em festivais de turismo, capacitação de profissionais das prefeituras, parceiros e do trade em geral, com foco no atendimento ao turista, estratégias de marketing para o destino e muito mais.

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A Passageira

A Passageira

Andressa Griffante é Jornalista, especialista em Marketing de Conteúdo e Influência, e uma viajante apaixonada por arte, história e cultura. Acredita que os lugares e as pessoas tem muito para nos ensinar, e que nem sempre precisamos ir longe para aprender com o mundo.

Que valoriza a liberdade de viajar sozinha e o aprendizado de se perder de vez em quando. Gosta de planejar cada passo de uma viagem com antecedência, mas às vezes se joga numa trip de última hora. Quer aproveitar a vida ao máximo e compartilhar seus caminhos, afinal, estamos todos aqui de passagem…