O Festival Olhe pra Cima, primeiro festival de muralismo e arte pública da capital gaúcha, iniciou sua quinta edição em janeiro e segue até março promovendo a pintura de mais seis empenas e totalizando 19 obras em prédios distribuídos pelo Centro Histórico, Independência, Floresta e Cidade Baixa.
Com mais de 8 mil metros quadrados de intervenções artísticas, o projeto reafirma Porto Alegre como um dos principais polos de arte urbana do país. Nesta edição, foram convidados os artistas Aline Bispo, Apolo Torres, Gordo Muswieck, Jocelyn Burgos, Lídia Brancher e Renan Santos, que transformarão fachadas localizadas nas avenidas Independência, Cristóvão Colombo, Otávio Rocha, Loureiro da Silva, Borges de Medeiros e na rua Jerônimo Coelho em grandes telas a céu aberto.
Arte pública que convida a cidade a olhar para cima
Cada mural carrega narrativas próprias e simbolismos que se revelam nas cores, formas e personagens. Para o criador e curador do festival, Vinicius Amorim, o projeto vai além da estética e propõe uma nova relação com o espaço urbano.
“Estes murais ressignificam a maneira como nos relacionamos com a cidade e também com a arte. Nosso convite é fazer com que a gente olhe pra cima e descubra ângulos novos da nossa cidade, que se transformou em uma galeria de arte a céu aberto — com arte pública, democrática e acessível para todos”, afirma.
O festival conta com financiamento do Pró-Cultura RS – Governo do Estado do Rio Grande do Sul, patrocínio da Tintas Renner by PPG e da Budweiser, além do apoio da Elev Energy Drink. As pinturas já estão em andamento e devem ser concluídas até o final de fevereiro. Cada obra leva, em média, 20 dias para ser executada, dependendo das condições climáticas e da complexidade dos projetos.
Ao todo, serão utilizados mais de 1.300 litros de tintas e vernizes, envolvendo cerca de 60 profissionais, entre artistas, assistentes, produtores, técnicos, engenheiros e bombeiros.
Expansão territorial e presença internacional
Nesta edição, o mapa de intervenções se amplia com novas obras nos bairros Independência e Floresta — um avanço celebrado pela curadoria, já que o objetivo de longo prazo é alcançar diferentes regiões da capital. Um exemplo é o bairro Sarandi, que recebeu uma intervenção coletiva em 2024 e volta a integrar o projeto em 2026.
Outro destaque é a participação inédita de uma artista internacional. A chilena Jocelyn Burgos assina o mural que ocupará um prédio na avenida Otávio Rocha, no Centro Histórico, marcando a primeira colaboração estrangeira do festival.
Ação social retorna ao bairro Sarandi
A dimensão social segue como um dos pilares do Festival Olhe pra Cima. Após ações realizadas no Território Ilhota e na Casa de Acolhimento Mulheres Mirabal (2021 e 2022), e no bairro Sarandi em 2024, o projeto promove uma nova intervenção artística coletiva na região.
A iniciativa acontece novamente em parceria com o Coletivo Abrigo, organização fundada em 2015 e idealizadora do projeto Viva Elizabeth: Diálogos que transformam a vila — rota turística de graffiti localizada na Vila Elizabeth, na periferia de Porto Alegre. Inspirada na Comuna 13, de Medellín, a rota possui quase 2 km de extensão e reúne obras de 36 artistas, transformando a comunidade em uma galeria de arte a céu aberto.
Para esta edição, o festival abrirá uma convocatória pública no final de janeiro, selecionando 10 artistas, que receberão cachê de R$ 1.200 cada para desenvolver uma obra conjunta integrada ao tour.
“A preocupação social sempre esteve presente em nosso festival, porque nosso objetivo também é aproximar a arte daqueles que estão muito distantes dela, como os bairros periféricos com vulnerabilidade social”, destaca Amorim.
Festival Olhe pra Cima 2025/2026: artistas e locais
Aline Bispo
Borges de Medeiros, 1121 – Centro
Multiartista visual e ilustradora, com obras em acervos como MASP, Pinacoteca de São Paulo e Museu Afro Brasil, Aline investiga temas ligados à miscigenação brasileira, gênero e sincretismos religiosos.
Apolo Torres
Loureiro da Silva, 1960 – Cidade Baixa
Expoente do muralismo contemporâneo brasileiro, o artista transita entre pintura clássica, street art e arte contemporânea, com exposições no Brasil, Itália e Estados Unidos.
Gordo Muswieck
Av. Independência, 56 – Independência
Conhecido pelo personagem Gordo17, o artista atua no graffiti desde 2001 e desenvolve uma linguagem marcada por cores intensas, camadas e referências da estética urbana.
Jocelyn Burgos
Otávio Rocha, 280 – Centro
Arquiteta e muralista chilena, trabalha com arte pública desde 2010, explorando memórias, tempo e atmosferas simbólicas em grandes murais urbanos.
Lídia Brancher
Jerônimo Coelho, 59 – Centro
Artista visual e ilustradora, investiga o feminino, o corpo e o gesto em composições que dialogam entre figuração e abstração.
Renan Santos
Cristóvão Colombo, 200 – Floresta
Ilustrador e muralista, tem influência das gravuras do século XIX e já participou de exposições no Brasil, Japão, Estados Unidos e França.
Mais informações sobre o Festival Olhe pra Cima estão disponíveis em www.olhepracima.com.br e www.instagram.com/olhepracima.art.




