Por Andressa Griffante
A experiência de viajar sozinha pode mudar a vida de uma mulher, incluindo sua carreira. A viagem solo deixou de ser apenas uma escolha de lazer e passou a representar também um recurso de desenvolvimento pessoal, autonomia e fortalecimento profissional para muitas mulheres.
Neste Mês das Mulheres, cresce o número de conteúdos e discussões sobre o turismo feminino. Cada vez mais crescem os roteiros de viagem voltados exclusivamente ao público feminino. E também aumenta o número de mulheres que encaram uma viagem solo. Mais do que uma tendência de comportamento, essas viagens também têm mostrado um impacto significativo na forma como as mulheres se posicionam em suas rotinas pessoais e profissionais.
Para quem tem experiência com viagens solo, essa transformação é bastante clara. Cada destino visitado, cada pessoa conhecida e cada cultura experimentada traz aprendizados que vão muito além do lazer. Uma viagem se torna uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional.
Explorar novos lugares coloca a viajante diante de situações que exigem habilidades importantes para a vida e também para o mercado de trabalho. Entre elas estão a capacidade de tomar decisões, a coragem para enfrentar o desconhecido, a habilidade de antever possíveis imprevistos e se preparar para eles, além da prática constante de empatia, adaptabilidade e resiliência.
Viajar também amplia repertórios. Conhecer novas culturas, experimentar diferentes realidades e entrar em contato com perspectivas diversas expande o entendimento sobre o mundo e sobre si mesma.
Neste contexto atual em que, diariamente, surgem notícias que evidenciam o quanto as mulheres ainda enfrentam desafios em uma cultura machista, que muitas vezes as descredibiliza, gera insegurança e fragiliza sua autonomia, as vivencias durante uma viagem podem ser verdadeiras ferramentas de empoderamento.
A experiência de viajar sozinha fortalece a crença de que as mulheres têm poder de escolha. Mostra que é possível ser resiliente em situações adversas e confiar nas próprias decisões, desde escolher um destino até decidir com quem compartilhar o caminho. No ambiente profissional, essas mesmas habilidades contribuem para que as mulheres se posicionem com mais confiança, criatividade e capacidade de inovação.
Ainda assim, os desafios permanecem. Segundo dados recentes, 62,1% das brasileiras já deixaram de viajar por medo da insegurança, o que demonstra que ainda existem muitas barreiras a serem superadas. O dado reforça a importância de iniciativas no setor de turismo que incentivem e garantam condições mais seguras para que mulheres possam viajar sozinhas, sem medo.
Uma pesquisa recente intitulada “Mulheres que Viajam Sozinhas”*, realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a UNESCO, ajuda a dimensionar esse cenário. O levantamento mostra que 40% das mulheres afirmam que já viajaram sozinhas algumas vezes, enquanto 31,4% realizam esse tipo de viagem com alguma frequência, a cada alguns meses. Entre as principais motivações apontadas pelas brasileiras para viajar sozinhas estão três fatores centrais: independência, liberdade e autoconhecimento.
Os dados fazem parte do “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas”, lançado com o objetivo de estimular mais autonomia e segurança para que o público feminino explore destinos pelo Brasil. A iniciativa busca incentivar cada vez mais mulheres a viverem a experiência da viagem solo com confiança e preparação.
*O estudo, conduzido em agosto de 2025, contou com a participação de 2.712 brasileiras.










