A Cavalgada de São Gonçalo do Rio Abaixo, iniciada nesta sexta-feira (10), conta com um importante reforço cultural: a exposição Caminhos: do Tropeirismo à Cavalgada. Aberta ao público durante a programação do evento, a mostra propõe uma imersão na história e nas tradições que ajudaram a moldar a identidade do município, conectando o passado tropeiro às práticas contemporâneas da cavalgada.
Inspirada na reflexão de João Guimarães Rosa — “o espírito da gente é o cavalo que escolhe a estrada” —, a exposição parte da ideia de travessia como elemento central da experiência humana e da formação do território mineiro.
Uma narrativa sobre a formação cultural de Minas
Organizada em cinco seções, a mostra apresenta o tropeirismo como elemento fundamental na construção econômica, social e cultural de Minas Gerais. O percurso expositivo aborda desde a atuação dos tropeiros na abertura de caminhos e no intercâmbio cultural durante o período colonial até a estrutura das comitivas e o cotidiano das viagens.
Mais do que uma atividade econômica, o tropeirismo é apresentado como base de valores e práticas que ainda ecoam na cultura mineira, como a coletividade, a hospitalidade e a forte relação com o território.
Símbolos e valores que atravessam gerações
Logo na entrada, o visitante é recebido por elementos simbólicos como o muar e a égua madrinha, figuras essenciais na condução das tropas. Mais do que animais de carga, eles representam liderança, coragem, orientação e confiança — valores indispensáveis para o sucesso das jornadas e que permanecem como referências culturais até hoje.
Esses símbolos funcionam como ponto de partida para a compreensão do universo tropeiro e de sua importância na formação de identidades coletivas.
Cavalgada: tradição viva desde 1986
A exposição também evidencia a Cavalgada de São Gonçalo do Rio Abaixo como herdeira direta desse legado histórico. Realizado desde 1986, o evento reúne comunidades em torno da cultura equestre, da música e da celebração popular, mantendo vivas práticas e saberes transmitidos ao longo de gerações.
Outro destaque é o papel do Parque de Exposições Edirlei Márcio Moreira Lacerda, espaço que recebe a programação e contribui para fortalecer a vida cultural do município.
Patrimônio, memória e pertencimento
Ao propor uma reflexão sobre permanência e reinvenção das tradições, a mostra reforça o compromisso do município com a valorização de suas raízes culturais. Para o prefeito Raimundo Nonato de Barcelos, conhecido como Nozinho, a iniciativa fortalece o sentimento de pertencimento. “Resgatar a história do tropeirismo é preservar a identidade do nosso povo. A cavalgada é uma tradição que atravessa gerações e essa exposição vem para fortalecer ainda mais esse orgulho”, destacou.
A secretária de Cultura, Cecília Fonseca, também enfatizou o papel educativo da exposição. Segundo ela, a proposta é conectar passado e presente, mostrando que essa tradição segue viva. “É uma oportunidade para que moradores e visitantes compreendam a riqueza cultural que temos e a importância de mantê-la ativa”, afirmou.




