Viajar deixou de ser apenas uma pausa na rotina ou uma experiência baseada no consumo turístico tradicional. Em 2026, o setor é impulsionado por um novo perfil de viajante, que prioriza descanso real, contato com a natureza, bem-estar e vivências autênticas. Esse movimento vem reposicionando a lógica de escolha de destinos e exigindo do mercado mais do que infraestrutura e localização.
Levantamentos recentes do Ministério do Turismo e da Rede de Inteligência de Mercado do Turismo, além de dados de plataformas do setor, apontam crescimento na procura por viagens ligadas à natureza, gastronomia, esportes e experiências culturais mais genuínas.
Valor da viagem passa a ser emocional e não apenas estrutural
Na prática, a transformação reflete uma mudança no que o consumidor entende como valor. Hospedagem e transporte seguem importantes, mas deixam de ser o centro da decisão. Em alta, estão viagens que oferecem descanso, sensação de pertencimento, exclusividade e tempo de qualidade.
Para a especialista em turismo Santuza Macedo, essa mudança não é pontual e já impacta a organização do setor.
“O viajante de hoje não quer apenas sair da cidade ou cumprir um roteiro. Em muitos casos, ele quer descansar de verdade, se reconectar consigo mesmo, viver algo mais autêntico e voltar com a sensação de que aquela experiência fez sentido”, afirma.
Destinos com identidade e tranquilidade ganham espaço
Esse novo comportamento favorece destinos que oferecem natureza preservada, silêncio, identidade local e hospitalidade mais próxima. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por experiências menos padronizadas, como gastronomia regional, vivências culturais e roteiros personalizados.
Segundo Santuza, o turismo passou a responder a uma demanda emocional mais evidente.
“Hoje, muita gente viaja buscando compensar cansaço, excesso de estímulo e pressão cotidiana. Isso faz com que o destino seja escolhido não apenas pelo que ele tem, mas pelo que ele faz a pessoa sentir”, explica.
Bem-estar deixa de ser nicho e se torna eixo central das viagens
Nesse cenário, o bem-estar deixa de ser um segmento isolado e passa a atravessar diferentes aspectos da viagem. Ele aparece em propostas que envolvem descanso, alimentação saudável, atividades físicas, qualidade do sono, contato com a natureza e até práticas de autocuidado e espiritualidade leve.
A consequência é uma mudança também na forma como destinos e empresas se posicionam. Lugares antes considerados secundários passam a ganhar relevância ao comunicar tranquilidade e autenticidade, enquanto ofertas genéricas tendem a perder espaço.
Experiência personalizada se torna diferencial competitivo
Para o setor, o novo desafio está em entender o momento de vida do viajante e oferecer experiências mais coerentes com suas expectativas.
“O turismo de experiência cresce porque responde melhor ao que as pessoas procuram hoje. Não se trata só de visitar um lugar, mas de viver uma jornada alinhada com o que aquela pessoa precisa naquele momento”, afirma Santuza.
Destinos nacionais ganham força no novo cenário
A tendência também contribui para a valorização de destinos brasileiros com forte apelo natural e cultural. Mais do que competir por preço ou popularidade, esses locais ganham espaço ao oferecer experiências mais memoráveis, com acolhimento e conexão genuína.
No centro dessa transformação está um consumidor menos interessado em acumular destinos e mais atento à qualidade da vivência. Para o turismo, isso representa uma transição significativa: sai de cena o foco no pacote tradicional e entra em evidência a entrega de experiências com valor real e impacto duradouro.




