O Carnaval de Belo Horizonte em 2026 promete ser embalado por poesia, montanhas, sonhos e canções que atravessam gerações. O Bloco da Esquina anunciou que seu próximo cortejo será uma homenagem a Lô Borges, artista fundamental na construção da identidade musical de Minas Gerais e do Brasil.
Intitulado “Sou do Mundo, Sou Minas Gerais”, o enredo propõe uma reflexão sensível sobre a capacidade de Minas se projetar para o mundo sem perder suas raízes. A partir da obra de Lô Borges, o bloco transforma o percurso em uma verdadeira paisagem afetiva, onde música, memória e celebração se encontram.
Canções como “Paisagem da Janela”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Trem Azul” inspiram o cortejo, marcado por ideias de liberdade, movimento, pertencimento e sonho — elementos que atravessam a trajetória do artista e dialogam com a essência do Carnaval de BH.
Homenagem que reafirma a universalidade da música mineira
Para Renato Muringa, fundador e diretor musical do bloco, o desfile de 2026 vai além da reverência artística. A proposta é reafirmar a universalidade da obra de Lô Borges, sua profunda ligação com Belo Horizonte e sua contribuição para um cenário musical mineiro que segue vivo, pulsante e contemporâneo.
“Lô Borges é esse artista profundamente mineiro, mas que fala com o mundo inteiro. Homenageá-lo é celebrar a liberdade criativa, a delicadeza, a coragem de sonhar. O Bloco da Esquina convida os foliões a embarcarem nesse Trem Azul, cantar sob o sol de um girassol e olhar a cidade como uma paisagem na janela, reafirmando que a música de Minas segue viva, coletiva e sem fronteiras”, comenta Muringa.
Quando e onde acontece o cortejo do Bloco da Esquina
O cortejo será realizado no dia 15 de fevereiro de 2026, domingo de carnaval, com concentração às 8h e saída prevista para as 9h, na Avenida dos Andradas, no trecho entre as avenidas Alphonsus de Guimarães e Silviano Brandão.
Serão uma hora de concentração e três horas de desfile, com acesso gratuito e expectativa de público de cerca de 40 mil pessoas. A dispersão está prevista para as 14h.
A experiência reúne bateria, banda, coral, intervenções artísticas, frente teatral, ala coreografada performática e artistas convidados, consolidando o Bloco da Esquina como uma das manifestações mais potentes e singulares do Carnaval de Belo Horizonte.
Entre os diferenciais estão os arranjos marcados pela guitarra baiana de Renato Muringa, uma bateria com cerca de 160 integrantes liderada pelas regentes Analu Braga e Emilia Chamone — incluindo um naipe exclusivo de tambores mineiros — além de um coral carnavalesco com 100 vozes, sob a regência e direção da cantora Bárbara Barcellos. Em 2026, a ala performática coreografada sai pela primeira vez, ampliando a dimensão estética e narrativa do desfile.

História do Bloco da Esquina: do Clube ao Carnaval
Criado em 2013 a partir de uma brincadeira musical entre Renato Muringa e Mário Jaymowich, o Bloco da Esquina nasceu ao unir cavaquinho e pandeiro às canções do movimento Clube da Esquina. Clássicos de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta ganharam o ritmo do samba e passaram a ecoar pelas ruas da capital mineira.
Desde então, o bloco cresceu, arrastou multidões, recebeu participações de grandes nomes da música mineira e se consolidou como referência do Carnaval de BH.
Em 2023, o grupo dividiu o palco com o próprio Lô Borges em uma apresentação especial em comemoração aos 80 anos do Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, reafirmando seu vínculo com a história e o legado do Clube da Esquina.
Compromisso social, ambiental e cultural
Ao longo dos anos, o Bloco da Esquina se destacou por pautas com forte compromisso social. Em 2020, levou às ruas o tema “Qualquer maneira de amor vale a pena”, em combate à homofobia. Em 2023, celebrou a memória musical com “Sonhos não envelhecem”, marcando os 50 anos do Clube da Esquina, os 80 anos de Milton Nascimento e os 10 anos do próprio bloco.
Em 2024, o desfile foi dedicado aos direitos das mulheres, com o tema “Marias, Marias”. Já em 2025, a homenagem foi à infância, com “Bola de Meia, Bola de Gude”, reforçando a importância dos direitos das crianças. Em 2026, ao homenagear Lô Borges, o bloco reforça seu papel como espaço de celebração, reflexão e formação cultural.
Formado majoritariamente por mulheres — cerca de 80% — e com participação significativa de pessoas acima de 60 anos, o Bloco da Esquina desenvolve políticas de inclusão, incluindo bolsas para garantir a participação de pessoas em situação de vulnerabilidade. No campo ambiental, promove compensação de emissões de carbono, campanhas de sustentabilidade e apoio à coleta seletiva durante o cortejo.
A atuação cultural vai além do Carnaval. O bloco mantém projetos de formação artística, como a “Trupe da Esquina”, grupo teatral voltado para crianças e adolescentes. Em 2026, estreia o espetáculo “Em Busca do Clube da Esquina”, escrito e dirigido por Cadu Bernardi, com direção musical de Renato Muringa, reunindo jovens artistas, coral, bateria e convidados da cena mineira para abordar, por meio da música, temas como racismo, sustentabilidade, homofobia e invisibilidade social.
Serviço
Cortejo – Bloco da Esquina – Carnaval BH 2026
Data: 15 de fevereiro de 2026 (domingo de carnaval)
Concentração: 8h
Saída: 9h
Dispersão: 14h
Local: Av. dos Andradas, altura do número 3560 (esquina com Av. Alphonsus de Guimarães)
Entrada gratuita
Instagram oficial do bloco: @blocodaesquina.




