Como foi o Carnaval 2024 em BH!

Para todas as idades, estilos musicais, com segurança e respeito. Estas foram as minhas impressões ao prestigiar pela primeira vez o Carnaval em Belo Horizonte. Combine a receptividade, simpatia e acolhimento do povo mineiro com as cores, a música e a felicidade do Carnaval e você entenderá porquê BH desponta como o novo coração da folia brasileira (como bem mencionou essa reportagem internacional da BBC).

Festa que a cada ano bate novo recorde em número de blocos de rua e de foliões vindos de diversos locais do país e, inclusive, do exterior. Em 2024 não seria diferente. Com uma ampla divulgação, apoio da população, da imprensa e dos incentivos públicos e privados, a edição deste ano já é motivo de orgulho (e de saudade) para quem teve o privilégio de participar.

E se você não participou mas ficou com vontade, confere abaixo um pouco da história do Carnaval de BH e de como foi a edição 2024 desta popular festa de rua. E, claro, já coloca o destino na agenda para curtir a folia em 2025!  

Praça da Liberdade enfeitada para a folia

Adicione à essa mistura a gastronomia maravilhosa da região, os drinks belo-horizontinos populares como o Xeque-Mate e o caráter de manifestação social e resistência presente na história recente do Carnaval da capital mineira. E não podemos esquecer dos investimentos cada vez maiores de setores privados e públicos, melhorando a infraestrutura da festa. Que sempre pode melhorar, claro!

Multidão no bloco Quando Come Se Lambuza, que comemorou 10 anos em 2024.

A história da festa

É comum ouvir os moradores de Beagá contarem como há alguns anos atrás este mesmo período era marcado pela cidade praticamente vazia e silenciosa. Mas como então atualmente vemos exatamente o contrário? 

Os primeiros registros carnavalescos em BH são lá da década de 30 com a primeira escola de samba da cidade, passando pelo primeiro bloco de rua, na década de 40; até a criação do Carnaval de Belo Horizonte, em 1980.

Mas foi em 2009 que um importante acontecimento deu forte impulso às manifestações de rua. Neste ano, um decreto da prefeitura proibiu a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação. A resposta foi em 2010, com a “Praia da Estação”, um movimento que transformou a cidade num mar de marchinhas e atraiu cada vez mais pessoas para os espaços públicos.

Bloco da Esquina, uma homenagem ao movimento Clube da Esquina, se apresentou com o tema “Marias, Marias”

E a evolução não parou desde então…

Em 2015, o Carnaval de BH atraiu mais de 1 milhão de pessoas para os mais de 200 blocos de rua. Em 2016, a festa teve 2 milhões de foliões, em 2017 3 milhões, em 2018 3,8 milhões e em 2019 cerca de 4,3 milhões e mais de 400 blocos.

Marcando a retomada após a pandemia de Covid-19, em 2023, a cidade teve 5,2 milhões de pessoas nas ruas, com mais de 450 blocos. E em 2024, foram 5,5 milhões de foliões e mais de 500 blocos durante os dias oficiais de festa, de 9 a 13 de fevereiro.

Segundo matéria do jornal O Tempo com o balanço do Carnaval de 2024 em Minas Gerais, Belo Horizonte recebeu cerca de 312 mil turistas, sendo que 20% deles visitaram a cidade pela primeira vez. O ticket médio de gasto do turista foi de cerca de R$ 650, e do folião de aproximadamente R$ 250. O movimento impulsionou a criação de pelo menos 50 mil empregos.

Segurança e respeito

Um dos pontos altos da festa em BH foi a sensação de segurança. De fato, em nenhum momento presenciei algum tumulto, ocorrência policial ou reclamações dos foliões. Ao mesmo tempo, policiais estavam sempre presentes e as orientações de cuidado e respeito estavam espalhadas em propagandas pela cidade e também eram reforçadas a todo momento por quem estava conduzindo os blocos em cima dos trios elétricos. 

De acordo com estudo apresentado pelo secretário de segurança pública de Minas, Rogério Greco, houve redução de 33% em todas as infrações penais e 73% dos foliões disseram se sentir seguros no carnaval de Belo Horizonte.

Balanço do Carnaval 2024

Comidas e bebidas: durante os dias de folia não foi difícil encontrar ambulantes à disposição, principalmente com oferta de bebidas. Apesar da variação de preços (encontrei Xeque-Mate sendo vendido de R$ 10 a R$20), era possível sempre encontrar opções sem andar muito.

Segurança: Como mulher, me senti segura, inclusive para curtir blocos sozinha! Não sofri nem presenciei furtos ou outros tipos de violência. E conversando com outros amigos, todos elogiaram a sensação de segurança. Entre as mulheres, também só ouvi elogios quanto à educação dos foliões e o respeito que reinou durante a festa. Claro que parte desta segurança se deve também a alguns cuidados básicos que os foliões já conhecem, como não deixar celular no bolso, sempre andar com pochete e evitar manusear o smartphone ou cartões de crédito em momentos de mais aperto na multidão.

Diversidade: Presenciei, felizmente, muita mistura de estilos, gêneros e idades. A festa de rua teve repertório variado com axé, sertanejo, funk, jazz, rock e música eletrônica. Em alguns momentos vi famílias inteiras curtindo a festa. Ainda que alguns blocos muito grandes não fossem tão amigáveis para as crianças, vi muitos pais com crianças até de colo. Na programação haviam blocos infantis mais adequados para os pequenos.

Sonorização: Este ano um sistema com caixas de som ao longo das Avenidas Andradas e Amazonas melhorou a experiência de quem foi curtir a festa, pois mesmo mais distante do trio ainda era possível curtir a música. Porém, em outras ruas era preciso encarar a multidão e se apertar pra ficar mais perto e escutar o som.

Banheiros: Pras mulheres, sempre parece que não é o suficiente! Haviam muitos banheiros químicos espalhados por diferentes pontos da cidade em que percorriam os trios, mas ainda assim, em alguns blocos que atraíram multidões, as filas dos banheiros eram enormes. Segundo a prefeitura, a cidade teve 99 pontos fixos de banheiros entre sábado (10) e terça-feira (13) de carnaval. E infelizmente vi muitos homens urinando nas ruas.

E ainda sobre o xixi dos foliões, olha que bacana: este ano foi adotado o projeto P4Tree, uma tecnologia que transforma urina em adubo. Desenvolvido pelo Departamento de Química da UFMG, o projeto integra o Programa de Pesquisa e Inovação Turística da Belotur, o fuTURISMO. A tecnologia do P4Tree é implantada em banheiros químicos espalhados pela cidade, e atua filtrando os dejetos para separar o fósforo neles presente, substância essencial para o crescimento de plantas. Este fósforo é, então, destinado para a fabricação de fertilizante. Saiba mais neste link.

Deslocamentos: O ideal foi caminhar bastante pela cidade, de um bloco pra outro. Depender de aplicativos ou outros meios de transporte estava complicado com tantos acessos fechados e mudanças em oferta de viagens e trânsito congestionado em algumas vias. Foliões mais experientes da cidade já se programavam para curtir blocos mais próximos de seus bairros e depois se deslocavam para outros que não estivessem tão longe.


E por aí, mais alguém curtiu o Carnaval 2024 em Belo Horizonte? Conta nos comentários o que achou!

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A Passageira

A Passageira

Andressa Griffante é Jornalista, especialista em Marketing de Conteúdo e Influência, e uma viajante apaixonada por arte, história e cultura. Acredita que os lugares e as pessoas tem muito para nos ensinar, e que nem sempre precisamos ir longe para aprender com o mundo.

Que valoriza a liberdade de viajar sozinha e o aprendizado de se perder de vez em quando. Gosta de planejar cada passo de uma viagem com antecedência, mas às vezes se joga numa trip de última hora. Quer aproveitar a vida ao máximo e compartilhar seus caminhos, afinal, estamos todos aqui de passagem…