A contagem regressiva para o Carnaval de Belo Horizonte 2027 já começou. O período oficial da festa, definido pela Prefeitura de Belo Horizonte, será de 23 de janeiro a 14 de fevereiro de 2027, com a terça-feira de Carnaval marcada para 9 de fevereiro — daqui a exatos cinco meses.
Mas, para quem faz a folia acontecer, o Carnaval já começou há algum tempo. Enquanto o público ainda planeja a programação e os visitantes começam a organizar suas viagens para a capital mineira, blocos e agremiações já estão envolvidos em ensaios de bateria, criação de repertórios, organização de alas e preparação dos cortejos que tomarão as ruas no início do próximo ano.
Até 18 de setembro, os blocos interessados em desfilar devem realizar gratuitamente o cadastro junto à Prefeitura de Belo Horizonte. A etapa é importante para o planejamento da festa, que a cada ano mobiliza milhões de pessoas e movimenta diferentes setores da economia da cidade.
Uma festa que movimenta milhões
A dimensão do Carnaval de Belo Horizonte ajuda a explicar por que os preparativos começam com tanta antecedência. Segundo balanço oficial da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, o Carnaval de 2026 reuniu 6,6 milhões de foliões ao longo de 23 dias, com 457 desfiles de blocos de rua e R$ 1,4 bilhão em movimentação econômica na capital.
Foram 612 blocos cadastrados e 660 cortejos, números recordes que ajudaram a consolidar Belo Horizonte como o terceiro maior destino carnavalesco do país.
Para chegar às ruas com essa dimensão, entretanto, existe um trabalho que começa muitos meses antes da folia oficial.
É nos ensaios que ritmistas ajustam o tempo, novos integrantes são incorporados às baterias, alas começam a tomar forma e o repertório que vai embalar milhares — ou até milhões — de pessoas durante o Carnaval ganha corpo.
“O Carnaval de Belo Horizonte se tornou uma das maiores festas de rua do Brasil, e essa grandeza é construída com muito trabalho, que começa cedo. Neste momento, os blocos já estão ensaiando, produzindo repertório, organizando alas e baterias, porque sabemos que uma festa desse porte não nasce na véspera — ela é gestada o ano inteiro”, afirma Polly Paixão, produtora cultural que atua na folia da capital mineira desde 2016 com diversos blocos.
Onde ensaiar antes de ocupar as ruas?
A preparação dos blocos, porém, também revela um dos desafios enfrentados por quem constrói o Carnaval de Belo Horizonte: a falta de espaços adequados para ensaios.
Sem locais próprios, muitas agremiações dependem de bares, praças, parques, centros culturais e outros espaços parceiros. Na prática, isso significa disputar horários, adaptar estruturas de som e lidar com limitações de acústica, logística e vizinhança — uma situação relatada há anos por blocos e entidades ligadas ao Carnaval.
“O financiamento é uma parte da equação, mas existe outra tão crucial quanto: os espaços para ensaiar. Hoje, muitas agremiações ensaiam em bares, praças e locais improvisados, disputando estrutura e horários. Para que o Carnaval continue crescendo com a qualidade que a cidade merece, é fundamental garantir condições dignas de preparação para os blocos”, completa Polly Paixão.
A discussão ganha ainda mais relevância diante do crescimento do Carnaval belo-horizontino. Para o público, a festa representa música, encontros, ocupação dos espaços urbanos e uma oportunidade de conhecer a cidade por uma perspectiva diferente. Para os blocos, entretanto, chegar às ruas envolve meses de planejamento, ensaios, produção e articulação.
Em 2027, enquanto a programação começa a ser desenhada e os blocos se preparam para mais uma temporada, Belo Horizonte já dá sinais de que a folia não espera o calendário virar. O Carnaval começa muito antes de fevereiro — e boa parte dele já está acontecendo agora, nos ensaios espalhados pela cidade.




