O Carnaval de Belo Horizonte voltou a fazer história em 2026. Com mais de 6,5 milhões de foliões ao longo da programação, a festa na capital mineira confirmou seu crescimento contínuo e se consolidou como um dos maiores e mais vibrantes do país.
Mas não foi apenas o recorde de público que chamou atenção. O Carnaval de BH tem um tempero próprio, uma combinação de segurança, hospitalidade, sabores e identidade cultural que conquista especialmente quem não é da cidade.
Carnaval da segurança
Um dos grandes destaques deste ano foi a segurança. Belo Horizonte conseguiu reunir multidões sem registrar ocorrências graves, reforçando a imagem de um Carnaval organizado e seguro. Os roubos de celulares em 2026 caíram mais de 70% em comparação com o ano anterior.
Durante todos os dias de festa, o patrulhamento foi visível e constante, com presença ostensiva e também ações de conscientização. O efetivo se destacou pela ainda pelo atendimento solícito e educado aos foliões. E essa cordialidade também contribui para a sensação de tranquilidade nas ruas.
Jeitinho mineiro
Dizem que BH é uma “roça grande”. A expressão, dita com carinho pelos próprios moradores, traduz bem o espírito da cidade: uma capital com jeito de interior. E isso se manifesta na cordialidade do dia a dia.
Mesmo em meio a milhões de pessoas, durante o Carnaval, a gentileza não ficou de lado. A educação e o respeito marcaram o comportamento dos foliões, reforçando a hospitalidade que é característica do povo mineiro.
Gastronomia e drinks variados
O acolhimento aos turistas, como de costume, também passou pela gastronomia, um dos maiores orgulhos locais. Mas os drinks enlatados foram um capítulo a parte na experiência dos foliões. Muitos deles encontrados apenas em BH, e com uma diversidade incrível de sabores, estas bebidas já se tornaram marca registrada da capital mineira.
Destaque para os banheiros
Falando em bebidas… é preciso lembrar de mencionar um item essencial na infraestrutura de um Carnaval de rua: os banheiros. Se este costuma ser um gargalo em grandes eventos, em Belo Horizonte o cenário foi diferente. Neste ano, a cidade foi destaque no número de banheiros disponibilizados ao público.
Um levantamento da Agência Pública, mostrou que a capital mineira contou com 1 sanitário para cada 17 pessoas. Para efeito de comparação, em Salvador havia um para 280 foliões e no Rio de Janeiro um para cada 185 pessoas.
O coração de tudo: os blocos
Se há um elemento que traduz a essência do Carnaval de BH, são os blocos de rua locais. A experiência é quase um ritual coletivo. Desde acordar super cedo para ver o Sol nascer ao som da bateria e uma multidão de gente brilhando, cobrir o corpo de argila no Barro Preto, caprichar na maquiagem e na fantasia com a temática de cada bloco, enfeitar-se com girassóis para celebrar a música mineira e especialmente neste ano prestar mais homenagens ao eterno Lô Borges.
Sem esquecer da inclusão, que ampliou o alcance da festa. Os blocos fizeram bonito com iniciativas de acessibilidade e tradução em Libras.
Mas os blocos também precisam ser enaltecidos pela resistência. Por terem criado e mantido essa essência única do Carnaval de BH e por desfilarem nas avenidas mesmo com suporte municipal muito aquém do desejado e poucos patrocínios para os blocos locais. Em compensação, não faltou energia e gente disposta a fazer acontecer.
Democrático, organizado, culturalmente forte e cada vez maior. O Carnaval de BH deixa saudade, mas também aprendizados para que no próximo ano o poder público contribua mais ativamente para preservar a identidade da festa, que a chegada de alguns mega blocos estão descaraterizando.
Confira alguns dos blocos mais tradicionais e imperdíveis de BH
São muitos os blocos que fazem parte da história do Carnaval de Rua de Belo Horizonte. Ao todo, mais de 600 blocos desfilaram em diversos bairro da cidade. Mas deixo aqui aqueles blocos que eu mais consegui curtir e acompanhar em 2026 e que recomendo muito que você aproveite quando tiver oportunidade de estar na folia mineira.
BLOCO FÚNEBRE
O @blocofunebre deu o pontapé inicial no Carnaval de BH na sexta-feira, 13 de fevereiro. Com repertório eclético que foi do erudito ao popular, o desfile “enterrou a tristeza” e animou a madrugada de uma multidão de foliões. Neste ano, o bloco completou 13 anos e levou à Avenida Afonso Pena o tema “Sexta-feira 13 — Ô Sorte!”.
BLOCO ENTÃO BRILHA
No sábado de Carnaval Belo Horizonte amanhece entoando “Gente é pra brilhar! Então, brilha!”. O desfile com tons de rosa e dourado no dia 14 de fevereiro mais uma vez reuniu uma multidão no cortejo que é um dos mais tradicionais e esperados da capital mineira. Este ano o bloco @entaobrilha apresentou o tema “Tecnologia do Delírio”, exaltando imaginação, música e poesia como expressões coletivas de liberdade e celebração.
BLOCO DA ESQUINA
O @blocodaesquina desfilou muita emoção no domingo de Carnaval, 15 de fevereiro. O cortejo mais florido e querido de Belo Horizonte apresentou uma homenagem especial a Lô Borges, com uma ala de dança inédita, intervenções teatrais e participações de familiares e amigos do músico.
Um dos destaques foi o Trupe da Esquina, projeto social de teatro infantil ligado ao bloco, que levou ao cortejo sua homenagem cênica. E a participação de Duca Leal, musa inspiradora da canção “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”.
Reunindo dança, coral, banda e intervenções teatrais, o bloco celebrou mais uma vez com muito afeto a obra do eterno Clube da Esquina.
BLOCO UNIDOS DO BARRO PRETO
Milhares de foliões cobertos de “lama” ocuparam a Avenida Augusto de Lima, em Belo Horizonte, na segunda-feira de Carnaval, 16 de fevereiro, durante o desfile do bloco @unidosdobarropreto. Espaço de crítica e pertencimento, o bloco combina estética inspirada no manguebeat com performances visuais marcantes que homenageiam a cultura criada no Recife nos anos 1990 e sua fusão de maracatu, rock, hip hop, funk e música eletrônica.
BLOCO BARTUCADA
Na terça de Carnaval, 17 de fevereiro, a @bartucada_oficial levou a magia do circo pra Av. Brasil, atraindo uma multidão na região central de BH. O tradicional bloco, de 54 anos, que nasceu em Diamantina, desfilou pela primeira vez com bateria no chão – mais de 100 ritmistas.
Para transformar a avenida em um verdadeiro picadeiro à céu aberto, o bloco contou com o convidado e homenageado do Marcos Frota. O ator, um dos maiores entusiastas e embaixadores da arte circense no Brasil, desfilou celebrando a magia do circo, da cultura popular e da festa mais democrática do país.


















