Carmelo (Uruguai): destino enoturístico na beira do Rio da Prata

Aproximadamente uma hora e meia distante de Colônia de Sacramento por via terrestre está a pequena cidade de Carmelo, no Uruguai. À beira do Rio da Prata, é destino desejado pelos amantes do enoturismo e recebe cada vez mais visitantes estrangeiros, muitos deles brasileiros. 

Neste post você confere:

A localização geográfica privilegiada de Carmelo determina um terroir único que beneficia a produção de vinhos de alta qualidade. Por isso, o ponto alto do turismo na região são as experiências nas vinícolas boutiques. 

São 6 as principais bodegas de Carmelo:

Destas, conheci 3 na minha primeira visita à cidade, em janeiro de 2023. As outras 3 já estão na minha wishlist para um próximo roteiro ao destino.

Por indicação do Gustavo, anfitrião da pousada em que me hospedei, priorizei as bodegas El Legado e Almacén de La Capilla – Bodega Cordano. Segundo ele, duas marcas bem familiares e recepção diferenciada, além de vinhos de alta qualidade, produzidas em pequena escala. Além dele, também recebi a recomendação de um dos taxistas da cidade, que também elogiou o atendimento e espaço diferenciados destas duas vinícolas. Segui as sugestões e já aproveitei para passear pela vinícola Campotinto, que fica bem próxima às outras duas. 

Abaixo conto um pouco mais sobre a minha experiência nas vinícolas e na cidade de Carmelo. As informações de serviço e preços são de janeiro de 2023. Dica: caso esteja programando uma viagem ao destino, é sempre recomendável checar os sites oficiais e entrar em contato direto com os estabelecimentos para eventuais serviços e valores atualizados.

Bodega El Legado

Esta foi a vinícola em que passei mais tempo e pude conhecer melhor. E comprovei que todos os elogios a ela realmente não são exagero. Os visitantes são recebidos em uma casa de 100 anos, conservada e muito charmosa. A Bodega El Legado é um empreendimento familiar – iniciado na década de 60 – sendo um dos legados, passado de pai para filhos. Atualmente a administração do espaço é feita pela terceira geração. Mas as lembranças de quem iniciou os primeiros cultivos estão por toda a parte, incluindo uma estátua do patriarca Luis Marzuca – quem plantou a primeira vinha no terreno onde hoje a tradição e paixão pelo vinho ainda segue.

Estátua em homenagem a Luis Marzuca, que fundou a vinícola El Legado no final da década de 60.

A equipe que trabalha no local é pequena e composta principalmente por membros da família, que também recebem os visitantes e servem a degustação. Todos muito simpáticos e solícitos.

Anualmente são produzidas 13 mil garrafas na El Legado, numa área de 1,5 hectares. Produz principalmente Syrah e Tannat, além de um blend destas uvas. E o processo de envase e vedação das garrafas é realizado manualmente, com poucos maquinários. A colocação das rolhas, por exemplo, é feita garrafa por garrafa, em apenas uma máquina destinada para tal.

Visitação e degustação: o passeio guiado pela vinícola dura cerca de 15min e não tem custo. Já a degustação varia de US$ 20 (apenas degustação de 4 rótulos) a US$ 35 por pessoa (degustação de 4 rótulos + tábua de fiambres). Não é necessária reserva antecipada, porém o host do hotel em que eu estava ligou antes para a vinícola confirmando minha ida.

Para a degustação da quarta (e última) taça de vinho os visitantes são convidados a se servirem direto da barrica.


Hospedagem
: é possível se hospedar com vista para os vinhedos na pequena pousada da El Legado. Porém, como são apenas 4 quartos disponíveis, é bom reservar com antecedência. 

Galeria de fotos na Bodega El Legado:

 

 

 

Almacén de La Capilla – Bodega Cordano

Não muito distante da El Legado está a vinícola Cordano – Almacén de La Capilla, outro empreendimento familiar e de muita história. Os visitantes são recebidos na mesma construção do armazém fundado em 1855 por Antonio Cordano com o objetivo de abastecer a vizinhança, uma colônia de imigrantes italianos, com mercadorias diversas. 

Como curiosidade: a propriedade é da família do admirável ex-presidente uruguaio José Alberto Mujica Cordano (conhecido como Pepe Mujica). No local podemos encontrar fotos dele ainda pequeno, além de muitos itens de decoração do armazém ainda da época de sua fundação.

 

Os vinhedos da bodega existem há mais de cem anos e hoje pertencem à quinta geração da família Cordano. Entre as diversas uvas utilizadas na elaboração vitivinícola da Bodega Cordano, estão a Tannat, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Pinot Blanc. Além dos vinhos, o armazém vende ainda produtos como queijos, doce de leite e outros doces e geleias artesanais. 

Visitação e degustação: quando fui não havia um roteiro guiado específico para visitação, mas quem nos recebeu contou a história da vinícola e à medida do nosso interesse ia mostrado mais itens da família e detalhes da casa. Já a degustação, segue o mesmo padrão das demais no que diz respeito à valores, de US$ 20 a US$ 35 por pessoa. Não é necessária reserva prévia.

Nesta vinícola eu não degustei pois recém havia saído de uma degustação muito bem servida na El Legado. Sendo assim, me contive nas demais. Porém, comprei algumas garrafas para degustar calmamente em casa. 

Hospedagem: eu não sabia, mas quem me recebeu na bodega Cordano – Almacén de La Capilla contou que no meio dos vinhedos eles possuem uma espécie de cabana exclusiva, e que, por ser única, está frequentemente reservada. (Procurei saber mais na internet, mas não encontrei nenhuma informação sobre hospedagem no local. Acredito que seja uma operação mais recente e com reservas apenas por telefone.)

Galeria de fotos na bodega Cordano – Almacén de La Capilla:

 

 

Bodega Campotinto

Bem pertinho (1 quadra e meia) da Almacén está a Bodega Campotinto. Uma das vinícolas mais conhecidas de Carmelo, que não é tão antiga quanto as outras citadas anteriormente aqui. (A Campotinto iniciou suas atividades em 2012). No entanto, esta com certeza é uma das vinícolas da cidade que dispõe da melhor estrutura.

A Campotinto oferece pousada, área de convivência com piscina, restaurante, além de inúmeras experiências como passeio de bike, piquenique e, claro, visitação e degustação de seus vinhos. Por lá (em função do pouco tempo que eu ainda tinha disponível) apenas caminhei para conhecer o espaço.

 

 

Visitação e degustação: é necessária reserva prévia para realizar a visita e degustação, que ocorre das 17h às 21h de quinta à domingo. Custa US$ 35 por pessoa e inclui degustação de 4 vinhos, tábua de fiambres, além da visita guiada. A duração estimada da programação é de 1 hora e meia. 

Restaurante: com reserva prévia, de segunda a domingo, das 12:30 às 14:30 e 20:30 às 22:30, com menu a la carte. 

Hospedagem: é possível se hospedar em uma das 12 habitações da pousada Campotinto. Além de contar com minibar, wifi, climatização e outras comodidades, os hóspedes estão em meio aos vinhedos, com diversas sombras para relaxar e contemplar. As informações e contato estão no site posadacampotinto.com.

Galeria de fotos na Bodega Campotinto:

 

 

Como chegar em Carmelo

De balsa saindo da Argentina:

Em Carmelo, assim como na Colônia de Sacramento, é possível chegar de balsa, com empresas como Buquebus ou Colonia Express. Saindo do porto de Buenos Aires ou Tigre (cidade próxima a Buenos Aires, também às margens do Rio da Prata). 

De ônibus no Uruguai:

No meu caso atravessei de Buenos Aires a Colonia e de lá comprei uma passagem de ônibus até Carmelo. Algumas agências que fazem o trecho são Berrutti, Intertur e Agência Central.

Obs.: algo que achei curioso é que em Carmelo não existe um terminal rodoviário. Os ônibus param em frente à sua respectiva agência. Todas elas estão localizadas no centro de Carmelo.

De carro:

Para quem prefere ir de carro, as principais rodovias são as Rutas 21 e 97.  As estradas possuem poucas curvas e são bem conservadas. Saindo de Montevidéu o acesso é feito pela Ruta 21 e conta com dois pedágios (que custam em média 160 pesos uruguaios cada), por isso é importante levar alguma quantia em pesos ou então solicitar e carregar a tag do Telepeaje. Como as vinícolas ficam distantes do centro da cidade, ir de carro é uma vantagem para circular mais livremente (e nesse caso o ponto negativo é beber vinho e ter que dirigir).

Como se deslocar dentro da cidade pra quem não vai de carro (como eu):

Carmelo é uma cidade pequena e não conta com Uber ou outro aplicativo de deslocamento, mas conta com os bons e velhos taxis. A grande maioria dos taxistas da cidade, no entanto, não aceitam pagamento em cartão, somente em dinheiro.

Caso isso seja um inconveniente pra você, deixo aqui o contato de Whatsapp de um dos únicos taxistas (se não o único) da cidade que aceita pagamento em cartão. Além dessa vantagem na forma de pagamento, o serviço foi muito bem prestado e um dos motoristas (de quem infelizmente eu esqueci o nome) acabou sendo também um guia, recomendando lugares e me contando um pouco mais sobre Carmelo. Meus deslocamentos maiores dentro da cidade preferi fazer de taxi, chamando sempre por esse contato de Whatsapp:

 

Como quase tudo no Uruguai, esses deslocamentos eram salgados para o bolso. Do meu hotel à Bodega El Legado por exemplo, cerca de 8 km de distância, a corrida de taxi custou cerca de R$ 90.


Onde me hospedei (e recomendo) em Carmelo

Minha primeira intenção era a de me hospedar em uma vinícola, porém, quando pesquisei (2 meses antes da data da viagem) quase todas já estavam com as vagas esgotadas. Outra opção seria ficar em um hotel mais central, em que teria acesso a pé pelo comércio e um ponto estratégico para seguir rumo às bodegas, que estão todas espalhadas em áreas afastadas do centro. 

Porém, pesquisando mais sobre a cidade e lendo muito as avaliações de outros hóspedes, escolhi pela pousada Mykonos Carmelo. E não poderia ter feito melhor!

 

Entrada do hotel Mykonos Carmelo

 

Ao viajar sozinha acabo por valorizar informações como a empatia e disponibilidade do anfitrião por exemplo. Como nunca havia estado em Carmelo, sabia que eventualmente precisaria de um apoio local para decidir a melhor forma de me deslocar, quais locais são mais seguros e recomendáveis, etc. E nesse ponto o Gustavo, o anfitrião do Mykonos, me ajudou bastante.

Além disso, eu sabia que nesse período estaria fazendo muito muito calor, e como não sabia ao certo como seriam as praias da cidade (seguras, lotadas, água muito fria ou não) optei por um hotel que tivesse piscina, pro caso de eu querer me refrescar, sem o incômodo de muita gente em volta, ou de me preocupar em deixar minhas coisas sozinhas na beira da praia por exemplo. Foi maravilhoso. A piscina quentinha, limpa, com uma área verde, rede, mesinhas, cadeiras e guarda-sóis. Aproveitei muito mais do que eu imaginei!

 

Piscina do hotel

 

Outro benefício oferecido aos hóspedes eram as bicicletas. Disponíveis a qualquer momento para sair a passear pela beira da praia (e apreciar o pôr do Sol lindíssimo) ou pedalar até o centro (cerca de 1,5Km). A localização é outra vantagem: me fez circular muito mais na orla de Carmelo, um local muito agradável, cheio de bares e uma vista linda para o Rio da Prata. Se eu tivesse me hospedado em uma vinícola provavelmente não teria circulado muito por esse lado da cidade.

 

Dando rolê com a bike do hotel pela beira da praia de Carmelo

 

E, claro, a estrutura da pousada e do quarto foram pra mim impecáveis, no conforto, bom gosto e higiene. E, por isso também (é bom comentar), não está entre as hospedagens mais baratas da cidade.

 

Cama super confortável do meu quarto no hotel Mykonos

 

Com o Gustavo, na despedida dessa hospedagem rápida, mas incrível!

Outras dicas para quem vai a Carmelo:

  • Vários restaurantes, bares e hotéis aceitam somente dinheiro, não aceitam pagamento com cartão, portanto leve algum valor em dinheiro. Existem caixas eletrônicos no centro da cidade para sacar dinheiro, bem como agências de câmbio e a Western Union;
  • Sempre que for possível pagar com cartão seus gastos com hospedagem e gastronomia (e inclusive aluguel de carro), prefira pelo cartão, já que no Uruguai estes serviços e estabelecimentos turísticos oferecem isenção de IVA aos visitantes estrangeiros. Saiba mais sobre estes benefícios no site do Ministério do Turismo do Uruguai.
  • O destino recebe visitantes o ano todo. Portanto, é recomendável certa antecedência para reservas nas pousadas em vinícolas mais conhecidas e disputadas. Fui em janeiro, período de muito calor e muita gente nas praias e buscando uma sombra nas áreas verdes da cidade.

 

E mais fotos da cidade:

 

 

 

 



Booking.com

 

 

 

E aí, quem já está programando sua viagem à Carmelo?
Estou à disposição para dúvidas sobre meu roteiro em contato@passageira.com.br.

Beijos e até o próximo destino :*
Andressa

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A Passageira

A Passageira

Andressa Griffante é Jornalista, especialista em Marketing de Conteúdo e Influência, e uma viajante apaixonada por arte, história e cultura. Acredita que os lugares e as pessoas tem muito para nos ensinar, e que nem sempre precisamos ir longe para aprender com o mundo.

Que valoriza a liberdade de viajar sozinha e o aprendizado de se perder de vez em quando. Gosta de planejar cada passo de uma viagem com antecedência, mas às vezes se joga numa trip de última hora. Quer aproveitar a vida ao máximo e compartilhar seus caminhos, afinal, estamos todos aqui de passagem…