Às vésperas do Dia Mundial do Vinho, celebrado em 18 de fevereiro, o Rio Grande do Sul reforça sua posição como principal destino de enoturismo do Brasil. Com diversidade de terroirs, qualificação da oferta e experiências de alto valor agregado, o Estado também se conecta a um dos segmentos que mais cresce no turismo global: o wellness, ou turismo de bem-estar.
Segundo dados da Secretaria de Turismo do RS, o enoturismo registrou crescimento próximo de 60% em 2025, com ticket médio superior a R$ 500 por visitante. O avanço consolida o Estado como referência nacional em experiências vitivinícolas.
Para Chay Amorim, vice-presidente Administrativa da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio Grande do Sul, o perfil do viajante mudou. “Até pouco tempo atrás, a visita às vinícolas baseava-se na degustação e contemplação da paisagem. Hoje há uma demanda crescente por experiências mais profundas, sensoriais e participativas”, afirma.
Vinho como mediador de experiências
O novo turista busca conexão, pertencimento e vivências que cuidem da mente, do corpo e da alma. Nesse contexto, o vinho deixa de ser apenas produto e passa a ser mediador de experiências.
Agências de viagens e vinícolas têm investido em roteiros que incluem:
- Caminhadas interpretativas pelos vinhedos
- Piqueniques ao pôr do sol
- Trilhas e roteiros de bicicleta
- Práticas de yoga em meio às paisagens rurais
- Almoços harmonizados ao ar livre
Durante a Vindima — período da colheita da uva entre janeiro e março — as experiências se intensificam. Visitantes participam da colheita, da pisa das uvas, de festas temáticas e programações culturais, ampliando o caráter imersivo do enoturismo.
Principais destinos enoturísticos do RS
Da Serra à Campanha, passando pelos Campos de Cima da Serra e pela Região Central, o mapa vitivinícola gaúcho combina paisagens, gastronomia e hospitalidade.
Serra Gaúcha lidera fluxo de visitantes
A Serra Gaúcha concentra o maior fluxo de visitantes. Destinos como Bento Gonçalves e o Vale dos Vinhedos seguem como referências nacionais, reunindo vinícolas premiadas e forte integração com a gastronomia regional.
Garibaldi destaca-se como capital brasileira do espumante, enquanto Pinto Bandeira ganha protagonismo com espumantes de altitude e experiências exclusivas. Municípios como Monte Belo do Sul e Flores da Cunha ampliam a oferta com roteiros rurais e propostas mais intimistas.
Campos de Cima da Serra apostam nos vinhos de altitude
Na região dos Campos de Cima da Serra, cidades como Vacaria e Muitos Capões consolidam-se como polos de vinhos de altitude. O clima frio e a amplitude térmica favorecem rótulos de perfil diferenciado, enquanto a paisagem de campos e cânions agrega valor à experiência.
Campanha Gaúcha desponta como nova fronteira
Na fronteira com o Uruguai, a Campanha Gaúcha se consolida como uma das regiões mais promissoras do país. Municípios como Santana do Livramento, Bagé e Dom Pedrito combinam grandes extensões de vinhedos e produção em escala com experiências de enoturismo em expansão.
Região Central amplia o mapa
A Região Central do Rio Grande do Sul também ganha espaço. Santa Maria e Jaguari estruturam roteiros que conectam vinícolas, gastronomia e turismo rural, representando oportunidades estratégicas para agentes de viagem.
Desafios e oportunidades
Para a ABAV-RS, há espaço para novos produtos segmentados que explorem clima, geografia, imigração e formação cultural das comunidades. A qualificação profissional e a integração público-privada são apontadas como fatores-chave para sustentar o crescimento.
“A segmentação é uma oportunidade de desenvolvimento de roteiros diferenciados. É preciso acompanhar a sofisticação do público e fortalecer a promoção do vinho brasileiro, tanto no mercado interno quanto no exterior”, conclui Chay Amorim.




