Exposição inédita sobre Clara Nunes apresenta 50 figurinos originais no Museu da Moda de Belo Horizonte

Exposição “Clara Nunes – Eu Sou a Tal Mineira”. Fotos Andressa Griffante/Passageira.

A exposição inédita “Clara Nunes – Eu Sou a Tal Mineira” mergulha nos aspectos marcantes da trajetória da icônica cantora, explorando sua relação única com a moda e exibindo diversas peças de suas roupas, que contam a história de uma carreira brilhante na música popular brasileira. A mostra de longa duração já está aberta para visitação do público gratuitamente de quarta-feira a sábado, das 10h às 18h, no Museu da Moda de Belo Horizonte (Rua da Bahia, 1.149, Centro), onde permanece até dezembro de 2025.

A exibição percorre a carreira da cantora nascida em Caetanópolis, desde o início, em Belo Horizonte, até sua consagração nacional e internacional. E destaca a influência da moda na carreira da artista, explorando 50 figurinos e adereços originais que estão sendo exibidos pela primeira vez em conjunto. Ocupando os dois andares do Museu da Moda, os figurinos estão entrelaçados com documentos, objetos, adereços, recortes de jornais e fotografias, apresentando a trajetória da artista e sua imbricada relação com a cultura brasileira e a religiosidade de matriz africana.

Clara Nunes foi a primeira mulher a vender mais de 400 mil cópias com o LP “Alvorecer”, ganhando seu primeiro Disco de Ouro. A cantora abriu caminhos para outros artistas e deixou sua marca inconfundível na cena musical brasileira. 

Para Eliane Parreiras, Secretária Municipal de Cultura, a exposição é uma celebração do advento da moda e da música, por meio da genialidade de Clara Nunes. “Fruto da parceria de pesquisa entre o Museu da Moda e o Instituto Clara Nunes, a exposição destaca os figurinos preservados cuidadosamente pelo Instituto, convidando os visitantes a mergulhar na história da cantora. A mostra destaca a importância da preservação de objetos históricos, dando ênfase à intersecção entre as diversas manifestações artísticas que fizeram parte da trajetória de Clara Nunes”, celebra. 

Segundo Luciana Féres, Presidente da Fundação Municipal de Cultura, “a mostra traz, na simplicidade e autenticidade da personalidade de Clara Nunes, um grande movimento de valorização da nossa história cultural. Através das letras de suas músicas, roupas, adereços e documentação fotográfica, o visitante terá acesso à uma experiência imersiva na trajetória única de Clara Nunes através do prisma da moda”, destaca. 

Para o Instituto Clara Nunes, “essa parceria contribui para a visibilidade do acervo e para a divulgação das pesquisas realizadas, desde 2005, por um grupo de profissionais dedicados à organização, catalogação, preservação e difusão da obra de Clara Nunes”.

Clara Nunes, a tecelã da música brasileira

Em 1978, Clara Nunes, ao cantar os primeiros versos da canção “Guerreira”, composição de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, afirmava suas origens: “Se vocês querem saber quem eu sou, eu sou a tal mineira”. Foi batizada Clara Francisca na cidade de Caetanópolis, em Minas Gerais, sendo filha caçula do folião de reis e serrador Manoel Pereira de Araújo e de Amélia Gonçalves Nunes, de quem assume o sobrenome. Seu pai trabalhou na fábrica de tecidos Cedro Cachoeira, e Clara Nunes, assim como seus irmãos, também atuou no mesmo local exercendo o ofício de tecelã. Posteriormente, já em Belo Horizonte, trabalhou na  Companhia Renascença, no bairro Cachoeirinha.

Os figurinos exclusivos da cantora, criados por estilistas como Arlindo Rodrigues, Geraldo Sobreira e Reinaldo Cabral, marcaram sua trajetória. Eles estarão expostos nos dois andares do Museu, relacionando-se com um precioso acervo de fotografias, documentos e matérias de jornal que percorrem a história da artista e sua relação com a moda. Elementos como renda de algodão, bordados, sisal, cordas, búzios e conchas, compõem o cenário visual da mostra, refletindo a pesquisa minuciosa da cantora acerca da cultura e religiosidade afro-brasileira, absorvida em suas viagens pelo Brasil. 

A exposição destaca a relação especial de Clara Nunes com o Carnaval, especialmente com sua escola do coração, a Portela. Esses laços remontam à sua relação com o compositor mineiro Jadir Ambrósio e a velha guarda do samba de Belo Horizonte. Em 1964, a cantora foi coroada como rainha do Carnaval na capital mineira, e no Rio de Janeiro estabeleceu vínculos com a cena carioca, atuando como intérprete na Avenida. Clara Nunes também fez gravações em homenagem à Escolas de Samba como Salgueiro, Mangueira, Império da Tijuca, Mocidade Independente de Padre Miguel, e Império Serrano. 

Com “Clara Nunes – Eu Sou a Tal Mineira”, o Museu da Moda de Belo Horizonte – MUMO e o Instituto Clara Nunes convidam o público à um passeio pela trajetória da artista que marcou a história da música e exaltou a importância da moda na criação de uma identidade diversa, inclusiva e exuberante. Em 2024, está prevista a realização de uma série de ações dentro da programação cultural e educativa da exposição.


Presidente da Embratur prestigiou exposição

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, esteve em Belo Horizonte para realizar uma série de compromissos nos dias 2 e 3 de fevereiro, sexta e sábado, em especial, para acompanhar as agendas de Carnaval na capital mineira. Na agenda estava a visita à exposição sobre a cantora mineira Clara Nunes, onde encontrou jornalistas e deu entrevistas sobre a receptividade do povo mineiro e o apoio da instituição na promoção do Carnaval de rua da cidade. Freixo também prestigiou alguns dos blocos e se reuniu com representantes da concessionária do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, BH Airport.

Marcelo Freixo visita Museu da Moda e exposição sobre Clara Nunes.

Museu da Moda de Belo Horizonte – MUMO

O Museu da Moda de Belo Horizonte – MUMO, inaugurado em 2016, surgiu como uma evolução do Centro de Referência da Moda, criado em 2012. Tornou-se então o primeiro museu público de moda do Brasil. Com essa iniciativa, reforçou-se o reconhecimento da moda como bem cultural e patrimônio nacional, por meio da adoção, pela instituição, de um programa dinâmico e variado. Os espaços da instituição são entendidos para além de exposições, encontrando-se também abertos para criação, fruição e experimentação.

O MUMO tem como missão preservar, pesquisar e difundir acervos referentes à moda na capital mineira, em suas múltiplas facetas, dialogando com a contemporaneidade e estimulando o pensamento crítico. Nesse sentido, pretende ser uma instituição de referência em memória, conservação e pesquisa de moda, indumentária e comportamento. Realizou, nos últimos anos, as exposições “Alceu Penna – Inventando a Moda do Brasil” “Arquivo Urbano – Cem anos de fotografia e moda no Brasil” e “Saberes de Costura: do molde à roupa”.

Instituto Clara Nunes

O Instituto Clara Nunes originou-se da necessidade de preservação e guarda do acervo da cantora, composto por distintos tipos de objetos: documentos pessoais, fotografias, álbuns e recortes de jornais, imagens religiosas, adereços, vestimentas, fitas k-7, troféus, entre outros. Todo o material pertencente à irmã de Clara, Maria Gonçalves da Silva, foi repassado por ela ao Instituto, em sua criação em março de 2005.

​O Instituto Clara Nunes entende, porém, ser a sua função mais ampla do que o simples laurear de uma memória individual. Assim, imbuído da missão que Clara Nunes conferia a seu ofício –  a divulgação da cultura popular brasileira, em sua diversidade mestiça, atua em diferentes frentes culturais, tais como: o atendimento a pesquisas acadêmicas e artísticas, o apoio a projetos educacionais e a parceria na realização de festivais.

 

SERVIÇO | EXPOSIÇÃO “CLARA NUNES – EU SOU A TAL MINEIRA”
Local: Museu da Moda (Rua da Bahia, 1.149, Centro, Belo Horizonte)
Período expositivo: 15/12/23 até 15/12/25
Horário de visitação: quarta-feira a sábado, das 10h às 18h
Entrada gratuita sem inscrições prévias.

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A Passageira

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Andressa Griffante é Jornalista, especialista em Marketing de Conteúdo e Influência, e uma viajante apaixonada por arte, história e cultura. Acredita que os lugares e as pessoas tem muito para nos ensinar, e que nem sempre precisamos ir longe para aprender com o mundo.

Que valoriza a liberdade de viajar sozinha e o aprendizado de se perder de vez em quando. Gosta de planejar cada passo de uma viagem com antecedência, mas às vezes se joga numa trip de última hora. Quer aproveitar a vida ao máximo e compartilhar seus caminhos, afinal, estamos todos aqui de passagem…