No Tocantins, os rios fazem parte de uma cadeia turística que envolve muito mais do que lazer às margens da água. Araguaia, Javaés e Tocantins movimentam serviços de hospedagem, alimentação, transporte, guias e atividades especializadas. Entre os segmentos que vêm ganhando espaço nesse cenário está a pesca esportiva, que já integra o calendário de eventos de diferentes cidades do estado.
Em Porto Nacional, por exemplo, maio é marcado pelo Tucuna Porto, competição dedicada à pesca do tucunaré. Em 2026, o evento chegou à quarta edição com cerca de 810 competidores de cinco estados, divididos em aproximadamente 270 equipes.
No norte do Tocantins, o movimento também chega às margens do Rio Araguaia. O 8º Torneio Araguaína de Pesca Esportiva, realizado em julho, reuniu 198 participantes de Tocantins, Maranhão, Pará e Goiás. A competição distribuiu R$ 82 mil em premiações e, segundo a Prefeitura de Araguaína, movimentou serviços como hospedagem, alimentação, transporte e comércio.
Pesca esportiva movimenta economia no Tocantins
O crescimento da atividade levou o governo estadual a criar, em 2026, o Circuito Tocantinense de Pesca Esportiva, com o objetivo de promover a modalidade, estimular o turismo sustentável e movimentar a economia em diferentes regiões.
O impacto econômico também foi identificado em um estudo publicado em 2026 na Revista Brasileira de Engenharia de Pesca, com participação de pesquisadores ligados à Embrapa Pesca e Aquicultura. A pesquisa estima que a pesca esportiva movimente aproximadamente R$ 15 milhões por ano no Tocantins, envolvendo uma cadeia que inclui guias, pousadas, empresas especializadas e comércio de equipamentos.
Além dos serviços diretamente relacionados às viagens, o crescimento da atividade cria demanda por equipamentos e embarcações adequadas para quem participa de competições ou percorre diferentes rios do estado.
Cresce a procura por embarcações para pesca
Segundo a Fluvimar, fabricante de embarcações, a empresa identificou aumento na procura de clientes do Tocantins nos últimos três anos. “Quando o pescador começa a viajar com mais frequência, participar de competições e explorar diferentes rios, a embarcação deixa de ser apenas um meio para chegar ao ponto de pesca. Ela precisa acompanhar uma rotina que envolve equipamentos, autonomia, estabilidade e muitas horas na água”, afirma Raquel Oliveira, CEO da Fluvimar.
Para a executiva, a profissionalização da pesca esportiva também mudou o perfil do consumidor. “Estamos vendo um consumidor mais exigente e mais preparado para escolher sua embarcação. Ele chega à compra sabendo como pesca, onde navega e o que precisa levar a bordo.”
Entre os modelos procurados para esse tipo de atividade estão os pontoon, embarcações que possuem uma plataforma mais estável, com flutuadores paralelos e espaço para equipamentos e circulação.
“O Tocantins tem uma combinação rara de rios, pesca esportiva e turismo. Para a Fluvimar, isso significa um mercado com espaço para crescer junto com a atividade”, afirma Raquel.
Turismo de pesca ganha espaço no Tocantins
A expansão das competições e o aumento do número de visitantes interessados na pesca esportiva mostram como os rios podem funcionar como indutores de turismo em diferentes regiões do Tocantins.
Além de atrair pescadores, os eventos ajudam a movimentar uma cadeia formada por hospedagem, alimentação, transporte, comércio, serviços especializados e atividades náuticas. Para os destinos, a modalidade também representa uma possibilidade de diversificação da oferta turística, especialmente em períodos fora da alta temporada convencional.
Com a criação de um circuito estadual e a realização de competições em diferentes municípios, a pesca esportiva no Tocantins passa a ocupar um espaço cada vez mais estruturado na agenda de turismo e lazer do estado.




