Livro “Doce Amargo”, de João Marcos Mendonça, transforma em quadrinhos o impacto humano do rompimento da barragem de Fundão; lançamento ocorre neste sábado (25), em Belo Horizonte
O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, segue ecoando na memória coletiva de Minas Gerais. Uma década após o maior desastre ambiental do país, o professor e quadrinista João Marcos Mendonça lança a obra “Doce Amargo”, publicada pela Editora Nemo (Grupo Autêntica), que retrata de forma sensível as marcas deixadas pela tragédia. O lançamento acontece neste sábado, 25 de outubro, durante o Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI BH), na Funarte (Rua Januária, 68, Centro).
HQ transforma experiência pessoal em memória coletiva
Morador de Governador Valadares, uma das cidades mais atingidas pela contaminação do Rio Doce, João Marcos viveu de perto o colapso no abastecimento de água que afetou quase 280 mil habitantes. A partir dessa vivência, ele decidiu transformar em quadrinhos o cotidiano e o caos que se seguiram ao desastre ambiental.
“Me interessou contar essa história sob uma perspectiva humanizada, de pessoas comuns que tiveram suas rotinas impactadas. E também para que essa história não fosse esquecida”, explica o autor.
Lançamento durante o FLI BH
No FLI BH, João Marcos participará de duas atividades no dia 25:
- 13h: oficina “Traço a traço: o desenho muito além da imaginação”, voltada para crianças.
- 16h30: mesa “Contar histórias com imagens”, ao lado das artistas Anna Cunha e Fereshteh Najafi, com mediação de Rodrigo Teixeira.
O festival, que celebra a literatura e as artes visuais, será o cenário para o primeiro contato do público com a HQ, que mistura memória pessoal e denúncia social.
“Doce Amargo”: arte, memória e denúncia
“Doce Amargo” acompanha o primeiro ano após o rompimento da barragem, mostrando cenas de incerteza, desespero e solidariedade: o medo da água contaminada, as longas filas por galões, os preços abusivos e os boatos que se espalhavam mais rápido que as informações oficiais.
O quadrinho constrói um retrato íntimo e doloroso de um cotidiano em colapso, mas também destaca os pequenos gestos de empatia que emergiram diante da tragédia.
Com traço delicado e narrativa precisa, João Marcos oferece um testemunho gráfico que une denúncia e afeto. O prefácio, assinado pelo professor Hernani Santana, ressalta essa dimensão:
“‘Doce Amargo’ não nasce só da mão do artista. Ele nasce do encontro, da escuta e do amor que resiste.”
Arte e cores que expressam o impacto da lama
As cores da HQ são de Marianne Gusmão, que traduz visualmente os sentimentos da narrativa. Por meio dos tons da lama de rejeitos, ela reforça a densidade emocional e o impacto humano da tragédia. Marianne também é coautora das graphic novels Gioconda e O Menino Rei, em parceria com Felipe Pan e Olavo Costa.

Sobre o autor
João Marcos Mendonça nasceu em Ipatinga (MG) e é mestre em Artes Visuais pela UFMG. Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Univale, o autor tem mais de 15 livros em quadrinhos publicados e já recebeu prêmios como a Cátedra 10 UNESCO de Leitura (PUC-Rio) e o Troféu HQ Mix.

Em 2024, foi artista convidado do Batman Day, da DC Comics, pelos 85 anos do personagem. Também é criador da série Escola de Passarinhos, publicada no Instagram, que aborda o universo educacional e inspirou uma startup de mídia.
Mais informações: www.grupoautentica.com.br/nemo




