Novo livro de poesias de Sérgio Canarim, “a gota — queda livre”, surfa contra maré de individualidade

Divulgação / Acervo Pessoal

O mundo vive uma onda de individualidade. Enquanto muitos navegam nesse sentido, outros vão contra a maré e tentam mostrar que formamos um emaranhado coletivo maior do que a ilha conhecida como “eu”. Somos parte de um todo, uma grande entidade pulsante e em movimento, conectada pela natureza, energia e subjetividade, idealística e metaforicamente. É como se cada individuo fosse uma gota no oceano. Partindo dessa premissa, o escritor porto-alegrense Sérgio Kroeff Canarim, 43 anos, criou o conceito para seu quarto livro (o terceiro de poesias) chamado “a gota — queda livre”, que ganha formato impresso sob os cuidados da editora Bestiário.

Com contracapa escrita pelo poeta Ronald Augusto, a obra de 146 páginas já está disponível para venda online neste link e tem lançamento oficial marcado para 21 de junho, no Café Fon Fon (Vieira de Castro, 22 – Farroupilha), às 19h. O evento terá leitura de textos que compõem “a gota — queda livre”, com participação de convidados, e outras atrações artísticas. 

Os poemas de “a gota — queda livre” foram elaborados em diferentes fases da vida do autor. Inclusive, ciclos da existência transbordam em cada um dos quatro capítulos da publicação: inocência, revolta, aceite e fruição. Cada uma desses momentos do livro representam etapas do crescimento pessoal e tem um texto, em verso, que faz analogia com a vida na terra e a trajetória do pontinho liquido que nomeia o livro. Os demais escritos seguem a temática do capítulo, sem necessariamente estabelecer comparação com a gota. De acordo com Sérgio, ele baseou-se na própria experiência para adaptar o conceito do trabalho.

“O poema que abre o livro é a história de vida de uma gota. Desde quando ela se forma na nuvem e tudo que ela passa descendo, voando, em queda livre, até que ela atinge o destino final: o solo ou a água”, afirma Sérgio, complementando:

“Pensei na vida da gota como a história dos seres vivos, principalmente humanos: tu és jogado no mundo e ficas suspenso, não tens segurança concreta. Não há controle algum. E se achar que tens, é ilusório. No final, vais te espatifar no chão.”

Sobre a forma como dividiu sua mais recente obra, Sérgio elucida:

“A parte da inocência é como se fosse a infância; a da revolta tem a ver com deixar de ser inocente, na juventude, e descobrir os problemas do mundo. Em seguida, o aceite, que revela que a pessoa não nega mais sua condição. Já a fruição é quando tu não só aceitas como ainda navegas com o cosmos. Vais junto com esse monte de causas e consequências que o próprio mundo gera.”

O escritor, que é graduado em Filosofia e Direito, afirma que se dedicou por um bom tempo aos pensadores do Ocidente. No entanto, não encontrou respostas para seus dilemas. Resolveu, então, tentar explicações na meditação em busca por clareza mental e emocional. Não à toa, o livro anterior de Sérgio, o “Esquizo Iluminado”, é inspirado e baseado na prática milenar que utiliza técnicas para focar a mente.

“O Ocidente é alicerçado no pensar, na mente. Então, fui meditar por curiosidade e percebi que o Oriente está mais ligado ao ‘não pensar’ como nova forma de investigar a realidade. Com essa prática, chegamos ao silêncio, ao autopensar e ao cuidado com a respiração. É como observar a si mesmo de fora”.

A inspiração para “a gota — queda livre” não vem apenas do universo literário, mas também — e principalmente — da já mencionada meditação, de reflexões e das andanças pelo mundo. Em sua poesia, Sérgio dá ritmo aos escritos brincando com a gramática e com estéticas de editoração. Afinal, como bacharel em Direito e conhecedor das regras e convenções que nos regem, o escritor entendeu desde cedo que seguir a cartilha nem sempre é o caminho. E pontua isso no poema ‘Descoberta’, em que descreve:

“Aos 8 anos eu descobri!

Quando me ensinaram a trocar lógica por decoreba.

A partir do episódio libertador

a desobediência se tornou um dever.”

 

Novo livro: poema único a quatro mãos

Enquanto trabalha na divulgação de “a gota — queda livre”, o escritor acerta os detalhes para outro lançamento, já finalizado. Trata-se de “Pororoca”, livro escrito a quatro mãos com o amigo e também poeta Rudi Renato Jr.. Nele, a dupla dividiu a criação de um único poema que pode ser lido de formas diferentes, já que a dimensão espacial das páginas é parte integrante da obra. 

Sobre o autor

Sérgio Kroeff Canarim nasceu em 1980, em Porto Alegre. É poeta e escritor, graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Concluiu, ainda, uma pós-graduação em Gestão pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), pois também é empresário do ramo imobiliário.

Em 2015, Sérgio publicou seu primeiro livro de poesia: “Filhos do Vácuo”. Em 2017, lançou “O Absoluto e o Pós-Homem”, obra inaugural de sua própria filosofia — que cria novas possibilidades de discurso sobre o ser, além de refletir questões referentes ao futuro da humanidade.  

Em 2019, colocou na rua  “Esquizo-iluminado”, mais uma publicação poética, em que mostra um ser em transição do intelecto ocidental para a consciência pura oriental. Esse trabalho, conforme o autor, tem como inspiração a revolução que a meditação e o tantra fizeram em sua vida. Atualmente, segue dedicando-se à meditação e ao tantra como práticas de cura e expansão da consciência. 

 Ficha técnica:
“a gota – queda livre”, 146 páginas, editora Bestiário.
Contracapa escrita pelo poeta Ronald Augusto.
Projeto gráfico e Ilustrações: Juliana Nobre.
Revisão: Raquel Belisario.
Projeto editorial: Roberto Schmitt-Prym.

 

Informações via assessoria de imprensa

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A Passageira

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Andressa Griffante é Jornalista, especialista em Marketing de Conteúdo e Influência, e uma viajante apaixonada por arte, história e cultura. Acredita que os lugares e as pessoas tem muito para nos ensinar, e que nem sempre precisamos ir longe para aprender com o mundo.

Que valoriza a liberdade de viajar sozinha e o aprendizado de se perder de vez em quando. Gosta de planejar cada passo de uma viagem com antecedência, mas às vezes se joga numa trip de última hora. Quer aproveitar a vida ao máximo e compartilhar seus caminhos, afinal, estamos todos aqui de passagem…